
Simulados online gratuitos que funcionam sem assinatura
Era 23h15 de uma terça-feira quando meu sobrinho me mandou mensagem no WhatsApp: “Tio, achei um simulado de concurso aqui, mas pede cartão pra liberar o gabarito. Normal?” Não é normal. É cilada. E esse tipo de coisa acontece toda semana com quem estuda pra concurso, ENEM ou OAB — plataformas que prometem gratuito e, no meio do caminho, cobram R$ 29,90 por mês pra você ver onde errou.
O problema real não é a falta de simulados gratuitos. É que a maioria das pessoas não sabe distinguir o que é gratuito de verdade do que é isca. Plataformas com acesso “free” que travam o gabarito, limitam o número de questões ou exigem cadastro com cartão de crédito “sem cobrança imediata” são, na prática, tentativas de captura de lead com cobrança futura. O estudo fica em segundo plano — você passa mais tempo tentando acessar o conteúdo do que estudando.
Por que o gratuito com asterisco atrapalha mais do que ajuda
Simulados que funcionam sem assinatura são aqueles em que você entra, responde, confere o gabarito e entende o erro — sem nenhuma tela pedindo plano premium no meio do processo. Isso parece óbvio, mas menos de metade das plataformas que aparecem nas primeiras posições do Google entrega essa experiência de ponta a ponta sem travamento.
Levantamentos feitos por grupos de estudo em fóruns de concurso público mostram que boa parte dos candidatos abandona um simulado antes de terminar quando encontra algum tipo de barreira de cadastro ou pagamento no meio do fluxo. Não é falta de disciplina — é atrito. O atrito mata o hábito de estudar antes mesmo de ele se formar.
Eu fiquei nesse ciclo por uns dois anos quando me preparava pra uma seleção pública: baixava aplicativo, fazia três questões, batia num paywall, desinstalava. Repetia a semana seguinte com outra plataforma. O resultado? Nenhum simulado completo feito em meses.
Onde encontrar simulados que realmente não cobram nada
Simulados 100% gratuitos e sem assinatura existem em pelo menos três tipos de fontes: sites de bancas organizadoras que disponibilizam provas anteriores, portais de estudo mantidos por faculdades ou órgãos públicos, e plataformas independentes que se sustentam com anúncios ou versão paga opcional — sem travar o básico.
As provas anteriores das principais bancas organizadoras de concurso público — como Cesgranrio, FCC e Cebraspe — são de domínio público depois de homologadas. Vários sites reúnem essas questões em formato de simulado com gabarito imediato, sem exigir cadastro ou cartão.
- Questões de provas anteriores do ENEM: o portal do INEP disponibiliza todas as provas e gabaritos desde 1998. Dá pra montar seu próprio simulado imprimindo ou respondendo digitalmente, sem depender de nenhuma plataforma terceira.
- Sites de questões abertas: há plataformas que funcionam no modelo wiki — qualquer usuário cadastrado pode contribuir com questões. O acesso ao banco de questões e ao gabarito é aberto. O cadastro, quando exigido, é só com e-mail, sem cartão.
- Simulados do Governo Federal para concursos específicos: alguns órgãos publicam materiais preparatórios nos próprios editais ou sites institucionais. Raramente são divulgados, mas existem.
O que olhar antes de começar qualquer simulado online
Antes de gastar 90 minutos respondendo questões, verifique se o gabarito comentado está disponível sem barreira. Essa checagem leva 30 segundos e salva horas de frustração.
Siga esse protocolo rápido:
- Clique em qualquer questão aleatória no meio do banco — não na primeira, porque às vezes só as primeiras são liberadas.
- Tente ver a resposta sem estar logado ou sem plano pago.
- Se aparecer pop-up de assinatura ou redirecionamento pra página de planos, o simulado não é gratuito de verdade. Saia.
Esse teste de 30 segundos me poupou de perder tarde inteira em plataforma que travava justamente nas questões de matemática — as que eu mais precisava revisar.
Um exemplo aplicado: uma semana de estudo sem gastar um real
Minha sobrinha — diferente do meu sobrinho, ela estava se preparando pro ENEM 2026 — montou uma rotina inteira usando só recursos gratuitos sem assinatura. Aqui está o que funcionou e o que não funcionou:
Segunda e quarta: ela baixava as provas do ENEM de anos anteriores direto do site do INEP, imprimia (isso tem custo de papel, sim — aproximadamente R$ 3,00 por prova completa) e respondia cronometrada. Gabarito conferido no mesmo site. Zero barreira.
Terça e quinta: usava um site de questões abertas que ela encontrou por indicação de grupo no Telegram de estudantes. O site tem anúncios, o que é chato, mas o conteúdo é completamente acessível. Ela filtrava por disciplina e montava mini-simulados de 20 questões por sessão.
Sexta: tentou usar um aplicativo muito recomendado em fórum de concurso. Funcionou bem nos primeiros dois dias. No terceiro, travou o gabarito das questões de Ciências da Natureza e pediu upgrade. Ela desinstalou e voltou pro site aberto.
Resultado real: em quatro semanas, ela fez o equivalente a três provas completas do ENEM sem pagar nada. A nota dela na simulação interna subiu de 580 para 634 pontos — não é transformação milagrosa, mas é progressão mensurável sem investimento financeiro.
O que não funciona — e por que ainda é muito recomendado
Tenho posição clara sobre algumas práticas que circulam como conselho e que, na prática, não entregam o que prometem:
1. Grupos de WhatsApp com “simulados em PDF”
A ideia parece boa — comunidade compartilha material, todo mundo ganha. O problema é que esses PDFs raramente têm gabarito comentado. Você erra uma questão e não tem como entender o porquê. Memorizar resposta certa sem entender o raciocínio é o caminho mais rápido pro erro repetido na prova real.
2. Plataformas de streaming de aulas que “incluem simulados”
Muitos cursos online — até os pagos — oferecem simulados como funcionalidade secundária, mal mantida. As questões ficam desatualizadas, o gabarito às vezes está errado (já vi isso acontecer em plataforma conhecida), e o suporte não responde. Simulado bom precisa ser a função principal, não um bônus esquecido.
3. Fazer simulado sem cronômetro
Não é sobre a plataforma, é sobre o comportamento. Responder questões sem controle de tempo é leitura, não simulado. A pressão do tempo é parte do que o simulado treina. Sem ela, você não está se preparando pra prova — está só revisando conteúdo de outro jeito.
4. Usar só questões do ano mais recente
Parece lógico focar no mais atual, mas bancas repetem padrões de raciocínio ao longo dos anos. Resolver questões de cinco anos atrás sobre o mesmo tema revela o padrão com mais clareza do que uma amostra pequena de um único ano.
Simulados para concurso x ENEM x OAB: a diferença importa
Não existe simulado universal. A estrutura de prova do ENEM — com questões interdisciplinares e contextualizadas — é completamente diferente de um concurso de analista judiciário, que costuma ter questões mais técnicas e diretas. E a OAB tem um formato próprio, com segunda fase dissertativa.
Usar simulado de concurso pra treinar ENEM é como treinar sprint pra correr maratona — trabalha musculatura diferente. Antes de sair acumulando simulados, defina qual prova é sua meta e busque banco de questões específico pra ela. Isso parece óbvio, mas muita gente faz simulado genérico de “concurso público” sem saber se as questões têm alguma relação com o cargo que está disputando.
Como organizar os erros sem planilha complicada
A parte mais negligenciada do simulado não é responder — é revisar o erro. E a maioria das pessoas pula essa etapa porque parece trabalhosa.
Método simples que funciona: depois de cada simulado, anote só três coisas num caderno ou bloco de notas do celular:
- Qual disciplina teve mais erro
- Qual tipo de questão (interpretação, cálculo, memorização)
- Se o erro foi por desconhecimento ou por distração/pressa
Três campos. Não precisa de planilha elaborada. Em duas semanas você já enxerga padrão — e padrão de erro é o mapa do que estudar a seguir.
Próximo passo — e é pequeno de propósito
Não precisa montar cronograma de estudos hoje. Não precisa baixar cinco aplicativos pra comparar. Faça só isso:
- Hoje: acesse o site do INEP, baixe a prova do ENEM do ano passado e salve no celular ou imprima. Só isso. Nem precisa responder ainda.
- Essa semana: escolha uma plataforma de questões abertas — teste o protocolo dos 30 segundos antes de se cadastrar. Se passar no teste, faça um mini-simulado de 10 questões da sua disciplina mais fraca.
- Anote um erro: só um. Qual disciplina, qual tipo de questão, se foi desconhecimento ou distração. Um registro já forma o hábito de revisar.
Simulado bom não é o mais bonito, nem o que tem mais funcionalidades. É o que você consegue usar de ponta a ponta, sem barreira, e que te diz onde você errou e por quê. Isso existe gratuitamente — e agora você sabe onde procurar.




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